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Setembro Amarelo

  • Foto do escritor: Diego Farack
    Diego Farack
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Como identificar sinais e agir no ambiente de trabalho para prevenir o suicídio


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O Setembro Amarelo é a campanha mundial de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 14 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos — uma média de 38 casos por dia. No ambiente de trabalho, o tema ainda é um tabu, mas é cada vez mais urgente abordá-lo de forma clara, responsável e empática.

 

Para as empresas, falar sobre saúde mental e estabelecer protocolos de prevenção é um ato de responsabilidade social e também uma estratégia para proteger vidas e construir um ambiente seguro e saudável para todos.

 

Por que o trabalho é um espaço-chave na prevenção

 

A maior parte da população adulta passa boa parte do seu tempo no trabalho. Isso significa que o ambiente corporativo é um dos lugares mais estratégicos para identificar sinais de sofrimento e atuar de forma preventiva.

 

Fatores como pressão excessiva por metas, clima organizacional hostil, assédio, sobrecarga de responsabilidades e falta de apoio de lideranças podem ser gatilhos importantes para o adoecimento mental.

 

Como identificar sinais de alerta

 

Embora os sinais de risco variem, alguns comportamentos e mudanças chamam a atenção no ambiente de trabalho:

 

  • Queda brusca de desempenho e produtividade: reduções drásticas na qualidade ou quantidade de trabalho entregue.


  • Isolamento social: afastamento de colegas, recusa em interagir ou participar de atividades coletivas.


  • Alterações de humor e comportamento: irritabilidade, pessimismo constante, apatia ou tristeza profunda.


  • Mudanças físicas perceptíveis: aparência descuidada, fadiga frequente, distúrbios do sono.


  • Comunicações diretas ou indiretas: frases que indicam desesperança, como “não aguento mais” ou “as coisas não fazem sentido”.

 

  • Histórico recente de perdas ou acontecimentos traumáticos: Episódios de alta carga emocional podem desencadear comportamentos prejudiciais.


  • Importante: Nem todo sinal isolado indica risco iminente, mas a observação de um conjunto desses sintomas deve acender um alerta.

 

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O que fazer no ambiente de trabalho

 

1. Estabelecer uma cultura de escuta e acolhimento


  • Estimule lideranças e equipes a ouvirem sem julgamento.

  • Normalize o diálogo sobre saúde mental, evitando estigmas.

 

2. Treinar líderes e equipes


  • Realizar capacitações para identificar sinais precoces de sofrimento mental.

  • Ensinar como conduzir conversas sensíveis e encaminhar casos de forma segura.

 

3. Criar canais de apoio confidenciais


  • Disponibilizar linhas diretas ou e-mails exclusivos para relatos de dificuldades.

  • Garantir anonimato e segurança da informação para quem busca ajuda.

 

4. Estruturar protocolos de ação


  • Ter um fluxo claro para encaminhar o trabalhador a profissionais de saúde mental.

  • Articular parcerias com clínicas, psicólogos ou psiquiatras especializados.

 

5. Reduzir fatores organizacionais de risco


  • Rever metas e cargas de trabalho excessivas.

  • Coibir práticas de assédio e promover gestão humanizada.

  • Incentivar pausas e descanso adequado.

 

Qual é o papel da liderança

 

Líderes são peças centrais na prevenção. Mais do que gestores de metas, eles devem ser agentes de cuidado com o time. Isso inclui:

 

  • Observar mudanças de comportamento.

  • Abrir espaço para conversas privadas e empáticas.

  • Encaminhar casos para suporte especializado sem expor o trabalhador.

 

Recursos e ajuda imediata

 

Se você ou alguém próximo apresenta sinais de sofrimento intenso, procure ajuda profissional. No Brasil, o CVV – Centro de Valorização da Vida oferece atendimento gratuito e sigiloso 24h pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.

 

Outros canais de apoio:

 

  • Serviços de saúde mental do SUS.

  • Programas de Assistência ao Empregado (EAP) nas empresas.


Conclusão

 

O Setembro Amarelo nos lembra que o suicídio é prevenível e que cada um de nós pode fazer a diferença. No ambiente de trabalho, identificar sinais precoces, agir com empatia e oferecer suporte adequado são atitudes que salvam vidas.

 

É preciso transformar a prevenção em parte da cultura organizacional, fortalecendo laços, criando um espaço seguro e mostrando que pedir ajuda é um ato de coragem — e que ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho.

 
 
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